terça-feira, setembro 05, 2006

Deixa que te moam todas as coisas que nao suportas.

Ai quantos decibéís mais serão precisos para que esta puta desta dor me deixe?
Quantos reclamos luminosos me terão que encadear os olhos?
Injustiça, é, digamos que, normal?
Ahhahahahahahahahhaha
Vamos lá, mais um bate pala,
somos todos tão lindos.
Olha olha, olha agora o que ele diz.
É fantástico, vamos todos atrás, todos
putos, putas, grandes, enormes, estranhos e disformes
vamos todos, VAMOS FODA-SE!
É assim que manda o mundo, é assim que mandam todos
em nós.
Então vamos lá cruzar os braços mais uma vez e por-nos em fila indiana
vamos lá, foder tanto a cabeça a toda a gente
para que sobrem apenas pessoas destroçadas
arruinadas, perdidas de si
arrumadas de si em espaços tão estranhos quanto a maior estranheza que possas imaginar.

Não te perdoo, não te perdoo nunca.
Teres feito isto a pessoas de quem gosto
e sim, eu gosto de todas, todas.

Não te vou perdoar por aquilo em que te tornaste
não te vou perdoar pelo que as outras pessoas fazem de ti
não vou não mundo
e o mundo é cada pessoa individualmente
e eu não perdoo a ninguém.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Eu vi tudo

Eles corriam gritavam, passavam tudo para um copo
andavam sem parar, queixando-se vezes sem conta
do cansaço a que o corpo se dera.
ficavam para mais tarde, bebiam e fumavam
sempre com um tema para falar
depois parava-se para pensar

a massa de resultados, de pessoas e sons desdobrava-se no horizonte
querer mais do que a vida se calhar passa além do monte
eles choram eles riem e acreditam que é verdade
porque é possível viver, pelo menos lá
com aquele gosto pela (não) necessidade

Como te vês agora depois de te rasgarem e entrarem?
depois dos ouvidos e músculos de todo o corpo completamente arruinados?
Com vontade de mais
porque viver, o que é?
Sei-o tão bem cá dentro que não faço ideia de como é.

obrigado.

sexta-feira, agosto 25, 2006

cala-te

Cala-te minha besta.
Anormal.
Estás sempre aqui: "Porque é hoje, porque é amanhã"
Cala-te foda-se.

Senti-me mal por te mandar calar
senti-me mal por não te mandar parar.
Estas coisas vêm à velocidade de qualquer coisa que anda muito depressa.
Cala-te!
Não quero mais porque quero tudo
e ir é sinal de ficar continuar e querer.
Noites de poesia embriagadas
noites de som inebriadas.
Cala-te puta.
Ahhhhhhhhhhhhhhhhh
Só me apetece berrar-te tudo aquilo que me apetece berrar e calar espetar rogar parar ir calar calar calar calar
Cala-me por favor.
Não quero dizer estas coisas que só me fazem repudiar o mundo
repudiar a inexistencia da existência.
Eu quero ir voar e deixar de sentir tudo para que me possam abraçar e sentir a pureza de uma alma.
Onde está toda a gente?
Para onde foram?
Onde estão?
Não vejo ninguém.
A merda do mundo veio ao de cima
só quero sentir alguma coisa diferente
alguma coisa diferente.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Como se cala isto?

Sou estranho.
Estranho todos os dias.
Nem quando acho que tudo está lá,
continuo a ser estranho.
Alguém me cala e continua
vem uma pessoa diferente e continua
estranho.
Mas qual a estranheza disso?
A anormalidade não é um estado aceite?
Não somos todos diferentes e reagimos de forma diferente?
Estão não seremos todos estranhos?
Sou estranho.

Digo palavrões em frente a toda a gente e as pessoas riem-se.
Faço das minhas dislexias trunfos de piadas
e elas riem-se
conquisto espaços para que o meu ego se sinta confortável
e desmonto, desmonto tudo e mais alguma coisa para me manter.

O coração ressente-se vezes sem conta
é físico é psicológico.
Compreendo agora a forma da metáfora
a metáfora pode tomar conta de nós
é fantástico, criamos os nossos próprios mundos
e eles apoderam-se de nós
para nos mostrarem que estão realmente lá
puxamos e afastamos as pessoas de quem gostamos
porque somos todos estranhos e a única coisa que queremos
é sentirmo-nos bem e sermos felizes
porque somos estranhos.

domingo, agosto 13, 2006

Outro tipo de novidade

É, pisa-se o céu quando se quer chegar lá.
Não me vou esforçar por compreender.
Laços, braços que esticam e pegam em tudo aquilo que queremos.
Pernas, costas, dói-me tudo.
Mas dói mais o que vou vendo, como?
Outro tipo de dor.

Vem-te. Agora só para mim.
Não vou querer pensar nisto
mesmo quando, só, me junto a mim a querer todas
todas. E qualquer uma serve
desde que venham todas.

Passaram o cilindro de novo pelo alcatrão
ficou tudo bem liso
e as rugas que andava a tentar criar
deixa-as, são para outro as viver
e ser e querer.
As minhas estão lá, estão, estão, estão.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Coisas do ar

A Carolina escreveu isto, curiosamente enviou-me. Tem o título "coisas do ar", há coincidências incriveis.



"Neste sufoco habitual que é acordar sozinha todas as manhas, lembro-me do que não fomos.
Eu costumava acreditar que o tempo ia voar para nós e por esta altura estaríamos já os dois velhos, a ver estrelas desfocadas pela miopia, durante as noites de Verão.
Iríamos beber chá e ter gatos, como toda a gente. Estar cansados pela vida, como toda a gente.
Ter cortinados feios, como toda a gente. Ver televisão de qualidade duvidosa, como toda a gente.
Iríamos ser como toda a gente e no entanto, tão nossos, que nunca ninguém ia entender as nossas singularidades.
Iríamos sentir-nos confortáveis, longe da angústia adolescente e em conversas só nossas, rir ao lembrar quando secretamente planeávamos morrer antes dos 30.
Tu ias continuar a descansar a tua mão displicentemente na minha perna e eu ia continuar a achar esse gesto algo espontâneo e maravilhoso.
Seríamos assim, sem conhecer outro amor, até que um de nós morresse. Depois, meses depois, morreria o outro de tristeza. Todos teriam que reconhecer a nossa simbiose.
Seria o nosso último sorriso sarcástico, para quem ainda se atrevesse a duvidar.
Teríamos filhos feitos de nós. Traços físicos, convicções, gestos. – a minha almofada chora.
Eu costumava acreditar mas o tempo não voou. Limitou-se a passar como só o tempo sabe. Os ponteiros do relógio continuaram a trabalhar da forma que lhes ensinaram. Nem mais nem menos.
Não vamos morrer juntos. Talvez um de nós morra mesmo antes dos 30 (estamos gastos, meu amor) e o outro lhe siga, pela tal simbiose de que escolhemos não falar.
Ou talvez morramos de uma daquelas doenças idiotas, causadas pelo excesso de álcool, quando tivermos 40 anos e nenhuma perspectiva de vida. Já nem sei.
Neste sufoco habitual que é acordar sozinha todas as manhas, lembro-me do que não fomos. E cada uma destas memórias não vividas me dói."

terça-feira, agosto 01, 2006

Vai continuar

Deixa que cresça
deixa que isso cresça dentro de ti
porque isso vai-te fazer bem
se o souberes ver em ti.