quarta-feira, dezembro 01, 2010

Predador.

Olá.
Eu vou sair e vou foder alguém.
Não interessa se é mulher ou homem.
O meu objectivo é foder alguém.
Saio, bebo, fumo, danço
só quero é foder alguém.
Se no fim da noite, bêbado, bato em alguém
ou alguém me bate, não importa
o que importa é a foda.

As cidades e os bares e os locais de lazer multiplicam-se.
A caça e o desejo, esses, nunca cessaram.
Nós somos mais nós do que algum dia fomos
por isso não me retiro mais daqui.

Estamos parados no prazer vazio.
Não digo que está mal, que está bem
ou que está o que devia ou não devia estar
só que estamos parados aqui, sem nada
vazios.

Vou apanhar quantas eu quiser.
Se quiser homens é só apontar.
No calor de qualquer sítio a meia luz
é só escolher.

Não condeno nem nunca hei-de condenar o que eu próprio quero fazer
para além de amar e querer e desejar, o resto é só foder.
E porque não?
Não me deixo preso, solto ou até imediato
mas qual é o substracto? Qual é essa vontade?
Se calhar emigrava.
Um país forte em outra coisa,
como os de erasmus, sei lá.

Que vazio é a saudade do amor, que vazio é, meu amor.

segunda-feira, novembro 15, 2010

A verdade.

A verdade distrai.
Não me digas que nunca o sentiste?
A verdade estorva e contrai mais doenças que eu próprio.
Dizer o quanto é barulho,
nas estradas de gravilha molhada
é querer um pouco mais
se pensas que a verdade vem engelhada.

Sim, podes dizer que sim
mas a verdade dói mais que isso
custa mais que isso,
mais do que aquilo que pensas que mais te custaria fazer
porque na verdade pervalece
e não abandona mais, aloja-se num recanto
e não nos larga mais.

A verdade é a verdade e na verdade somos mentira.

sexta-feira, novembro 12, 2010

É bom.

Saber que a amas
não pensar sequer no que pensas
enquanto a amas
e deixar que amor seja um.
É bom saber.

É bom saber que não te despes
que só tiras parte da roupa
para não te expores.
É importante que o faças.
Não tires tudo
deixa ficar alguma coisa.
Dar tudo é sacrilégio.

É bom saber que me venho
pelo menos até à última
se calhar com esforço
talvez não,
está bem,
não quero mentir,
nem saber da verdade
para nada.

É bom saber que pouco sei, na verdade
isso é simplesmente bom.
Enquanto a televisão funcionar e o rádio tocar
estou bem, sentado, deitado de barriga para cima
a pensar no que já tive, no que já fui,
nunca no que vou ter,
só o passado a moer.
E o amor? Perguntas pelo amor?
Ele também veio?
Ficou cá? Esteve cá?
Mas eu sonhei com isso?

É bom não saber onde estás.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Não me faço troça.

Não jogo ao que se pede.
Não é meu o jogo portanto, pede.
Há uma e outra frase que se repetem,
às voltas.
Não te deixes enganar.
Não, não e não, de negação.

Pintei dois traços e um risco
fui dizer que não e digo-o:
não.

O que é, é o que é.

Uma história só pode ter um final.

segunda-feira, novembro 01, 2010

É de quem?

A vontade que me veio, é de quem?

Somos um que vagueia por demais. Não nos damos.
Pertencemos à classe que se diz o que são os tais. Não nos damos.
E a vontade é de quem?
Paramos, escassos, nos passeios,
fintamos devaneios e recorremos ao jornais. Não nos damos.
Deitamos fora a esperança, dizemo-nos fãs da mudança
e fechamos os olhos aos pais. Não nos damos.
E a vontade é para quem?

E a mentira?
É de quem?

terça-feira, setembro 21, 2010

É gratuito.

Tudo tem um preço.
Vejo que os anos passam, mas na realidade só tenho este.
Dão-nos tudo. Aprendemos.
Mudamos, crescemos e depois tudo acaba.
Acaba. E eu sou imortal.
Não. Não me entendam como se já me conhecessem.
Tu não me conheces, ninguém me conhece.
Eu não sou daqui.
Os textos escrevem-se para se criarem ilusões.
Ninguém sabe a dor de ninguém.
Ninguém escreve a dor de ninguém.
Podes até dizer-me o que queres,
virar costas quando quiseres,
mas ninguém sabe o que me vai.
Ser igual não é mais que ser diferente.
Mudar a cor é saber de cor quantas coisas disseste.
Guardar no peito a lembrança de sempre.
E isso é o quê? Só eu sei.
Não houve nem haverá porque só há isto.
E isto perde-se aqui, nesta lembrança.
Acabou.

Não me faz confusão, não me dói mais do que isto.
E é o quê isto? Quem vem de cá, quem vai para lá?
Porque os levam às séries, com motivos iguais?
Porque levam esta vida para levar os demais?
Que motivação maior há senão a que há.
No fim da estrada há-de haver sempre quem me queira agarrar,
nem que eu não valha nada,
alguém me vai querer furar e levar o que eu tiver nos bolsos.
Não é isso que se diz, não é isso que se faz.

Não se ama mais hoje? Não se faz nada por ninguém, hoje?
Tu fizeste o quê hoje?
"Foste um bom robot, hoje?"
Tiraste o quê hoje? Abraçaste quem, hoje?
Encheram-te o bolso?
Fodeste quem hoje?
Diz-me!
Diz-me porque eu não entendo.
Eles estão todos a ir embora, todos.
Não tarda iremos nós.
E quem é que tu beijaste hoje?
Não interessa.
Vamos a correr.
Todos a correr para os carros, para o trabalho,
ganhar e acreditar que ganhamos.
Vemos um filme à noite e cantamos uma canção a caminho de casa.
E pisaste quem hoje? Pediste desculpa hoje?
Não, porque eu sou e sei e vou para onde eu quiser quando quiser.
Está bem, e abraçaste quem hoje?

Uma cerveja, vinte cigarros, três canções, um par de amigos.
Miúdas bonitas, noites sem fim. Talvez o fim seja só quando amanhece.
Depois começamos de novo.

É uma espécie de tordo. Talvez porque tordo me faça lembrar atordoado.
O que eu quero dizer é que é demasiado curto, é pouco tempo
não é preciso desperdiçarmos tanto.
Um mais um faz dois, talvez seja quanto baste para entendermos a vida
e ainda assim, se não a entendermos...

quarta-feira, setembro 15, 2010

Destitulado.

Precisamos de calor
precisamos de frio
precisamos da vida
do coração vazio
da lembrança ténue
da doce vingança
do desejo célere
e da tua inconstância.

Precisamos de amor
de vontade e querer
se perdemos o furor
vamos logo deixar de querer.

Mas que mais me fizeram
lá na auto-estrada
o recomeço da entrega
o embrulho que nevava.
Não caí porque precisamos de nos levantar
e o que ela me deu
ficou lá atrás,
a chorar.

Mãe, o que levo daqui mãe?

Precisamos de ódio, mordaças, coisas em praças.
Precisamos do vídeo
das palavras parvas
do coração partido e das pernas fracas.

Fui ver um monte que me disse o que quis
porque precisamos de tudo
e eu preciso de ti.

sábado, agosto 28, 2010

Pedras e passeios são caminhos.

Recomeça.
Não, não vás fazer essas lembranças as memórias que te comandam,
sejam elas aquilo que se fizerem,
recomeça.

Entraves são passageiros, diz no dicionário
e o Portugal de hoje é vazio, inóspito.

Reconheço o espaço,
reconheço esperança,
reconheço o árduo caminho que se faz
para se tirar e tornar atirar uma pedra mesmo à tua cabeça.
Um bocado de paralelo que se faça mais
na simples trajectória de matar
sim, de ferir de morte o que mais se vê
porque é para não mais veres.

Duas coisas retirei
três mais atirei
e nenhuma de acertou.
Esta pedra vai
vai e não pára
é direita à testa.

Fiz o caminho
a andar
sentado como quem vai.

A distância fez-se tua
não minha.