quinta-feira, junho 19, 2008

Recrimino-me determinantemente.

São os dias de odores estranhos e indecências no quarto de hóspedes
as farsas querem-se hoje, sem mais demoras,
apenas para se adorarem umas às outras.
Os vinténs mantêm-se no seu sítio, longe do olhar dos pobres,
e são as esmolas que damos aos que gostamos.
Não me digas que agora também não está bem? Não me digas.
Mas insiste-se sempre em dizer.
Grandes bocas, tristes feridas que se cortam para as tesouras se usarem.

Abrir a cabeça em três sítios só com o químico que se faz,
sozinho? Nem pensar, as crenças desmoronam-se.

Não hei-de viver se alccolizado me mantiverem na estrada,
não hei-de sair do carro, não hei-de sair da mesa do café.
Não posso pagar nada, nem sequer o tabaco
mas a mim querem-me sempre de pé, pronto.

Hoje não vou, quero que tudo isso se passe ao inferno relativo.
Amanhã logo se vê mas hoje não quero,
o problema é que amanhã vai doer, mas eu hoje não quero.
Que se passe a recriminação ao raio que a parta.

segunda-feira, maio 12, 2008

Reclusão.

Vão centenas de espécies queixar-se ao director
pois este trata tudo de maneira diferente.
Uns fecham-se outros não,
uns castigam-se outros não.

Da injustiça da liberdade dá-se a prisão.

terça-feira, maio 06, 2008

Não há coisa nenhuma.

Não há coisa nenhuma que nos possa fazer mais felizes do que o que somos,
porque coisa nenhuma nos tira a transparência do que damos e queremos.
Seremos nós, portanto, desde a nossa mais interna natureza apenas aquilo que somos.

Não me deixo por isto ou aquilo naquilo que vou e fui para ser,
não te desligo a tomada quando queres porque se não me vês é de necessidade que me fico.
Não quero absolutamente nada, nada de nada.
Não quero coisa nenhuma que se queira assim só por querer, por ir e só gemer
por não ter.
Não me deixes ser porque eu o sou, estranho neste mundo de miséria humana que se deixa triste na pobreza mundana do mundo sarcástico.
Não quero ser um nem dois nem três nem quatro,
tomar as decisões por mim, chorar por mim, focar triste por mim,
e o terceiro, que não é o segundo de nós, deixa-se ir,
porque não interessa, só interessa mudar um, mais nenhum.
Não há propósito na tristeza de ser
não há um propósito.

terça-feira, abril 29, 2008

Demência.

Não há cura para a sanidade que temos que ter todos os dias,
desculpa mas não há,
vai à merda mas não há!

Aquele cenário das cenas bonitas encenadas no espelho do meu olhar,
sim, apenas do meu olhar, não o vejo com outros olhos.

Não é agora altura de passar e passar ao lado de dar, lá.
Posso desmontar cada coisa que aches, cada uma delas e ainda assim sair a ganhar,
mesmo quando perco,
não deixo de ganhar quando perco.

Reluz a relutância de requerer passividade mental e, nunca.

Isto um dia vai-te calar, vai, vai.

Quando outrora me julgava leve e forte, capaz de recortes de tiradas de sonho,
me desmonta a mesa do entrave e me apresenta a tristeza do fado que se conhece.
Mas não, isto no que retém, esmorece.

segunda-feira, abril 14, 2008

Não, não não.

Sim, vou.
Só quero saber daquilo que me faz feliz.
Sim, vou.
Não me digas que não.
Sim, é isso mesmo que eu quero.
Já deitaste tudo a perder,
desculpa, fui eu.
Mas se já o fiz uma vez quero ter a oportunidade
de o fazer de novo.
Não julgues que me hei-de cansar
porque eu vou, lá ter.

Não me lembro se alguma vez fizeste com que
eu mostrasse o melhor de mim
mas tu parecias mais bonita que nunca
que pensamento egoísta preciso eu mais?

Eu hei-de ir, não, desculpa
a resposta é,
sim vou.

domingo, abril 13, 2008

Olha.

Afinal gostava de saber mais acerca daquilo que nunca tivemos,
viver num passado qualquer de torção doentia.

Olha, afinal até queria saber mais sobre aquilo que demos,
se não deste coisa nenhuma eu só daria, apatia.

Mas afinal vens ou não?
Não havemos de querer ser nem doutores nem engenheiros nem advogados,
que raio de gente há neste mundo afinal?

Olha, não me deixes a falar sozinho
nem me perguntes nada,
não quero falar agora
nem outrora houve nada
só quero ir embora daqui,
construir um pouco do que dei de ti
a outras
sem nenhuma paixão
sem nenhuma intenção
não culpando o que fiz por não ter feito
porque tudo direito
só no mausoléu
do céu.

quarta-feira, abril 09, 2008

A noção de alguma coisa é como a noção de nada.

Há em si a confusão implícita de não saber exactamente quantos tem.
Há já em si a confusão que não quer ser vista como tal.
ALgo se adiciona à mente e ao corpo,
trocam-se as variáveis e ouve-se estranhezas muitas de tudo.
Não há uma variável sequer que seja considerada
porque não interessa,
nunca se sabe do que se fala porque quer-se fugir a tudo,
não há sequer uma vontade de entendimento voluntária.

domingo, março 16, 2008

Celebração da opressão própria.

Outra coisa mais será outra que se tem no peito.
Não quero chuva no encanto de delicadeza parva
ou simples cratos que se empilham na minha casta.
Não sou requintado de entranhas que se deixam
nem subtil na mensagem que se faz passar
desligo tudo para que possa ouvir a noite
mas o tempo que passa não me ajuda a passar.

Complicada é a hora em que se faz a lembrança
o presente da esperança que se deixa para trás.
Quantas vezes me disse eu a mim que não era assim
que não era disto que eu vivia em mim?

A pele toca-se quando se quer tocar
mas quando não te deixas sentir
não passa para além do humor de amar.

Não, não digo isto quando quero e vem
só quando se tem qualquer coisa mais que se deixa partida
a partida é
a partida foi
não se abandonou
não se deixou
e isso é pior que tudo
pior que querer deixar de amar
pior que odiar
é deixar ficar tudo ao abrigo do que é meu.

Não se escrevem palavras
não se dizem lembranças
constroem-se mudanças.