A vontade que me veio, é de quem?
Somos um que vagueia por demais. Não nos damos.
Pertencemos à classe que se diz o que são os tais. Não nos damos.
E a vontade é de quem?
Paramos, escassos, nos passeios,
fintamos devaneios e recorremos ao jornais. Não nos damos.
Deitamos fora a esperança, dizemo-nos fãs da mudança
e fechamos os olhos aos pais. Não nos damos.
E a vontade é para quem?
E a mentira?
É de quem?
segunda-feira, novembro 01, 2010
terça-feira, setembro 21, 2010
É gratuito.
Tudo tem um preço.
Vejo que os anos passam, mas na realidade só tenho este.
Dão-nos tudo. Aprendemos.
Mudamos, crescemos e depois tudo acaba.
Acaba. E eu sou imortal.
Não. Não me entendam como se já me conhecessem.
Tu não me conheces, ninguém me conhece.
Eu não sou daqui.
Os textos escrevem-se para se criarem ilusões.
Ninguém sabe a dor de ninguém.
Ninguém escreve a dor de ninguém.
Podes até dizer-me o que queres,
virar costas quando quiseres,
mas ninguém sabe o que me vai.
Ser igual não é mais que ser diferente.
Mudar a cor é saber de cor quantas coisas disseste.
Guardar no peito a lembrança de sempre.
E isso é o quê? Só eu sei.
Não houve nem haverá porque só há isto.
E isto perde-se aqui, nesta lembrança.
Acabou.
Não me faz confusão, não me dói mais do que isto.
E é o quê isto? Quem vem de cá, quem vai para lá?
Porque os levam às séries, com motivos iguais?
Porque levam esta vida para levar os demais?
Que motivação maior há senão a que há.
No fim da estrada há-de haver sempre quem me queira agarrar,
nem que eu não valha nada,
alguém me vai querer furar e levar o que eu tiver nos bolsos.
Não é isso que se diz, não é isso que se faz.
Não se ama mais hoje? Não se faz nada por ninguém, hoje?
Tu fizeste o quê hoje?
"Foste um bom robot, hoje?"
Tiraste o quê hoje? Abraçaste quem, hoje?
Encheram-te o bolso?
Fodeste quem hoje?
Diz-me!
Diz-me porque eu não entendo.
Eles estão todos a ir embora, todos.
Não tarda iremos nós.
E quem é que tu beijaste hoje?
Não interessa.
Vamos a correr.
Todos a correr para os carros, para o trabalho,
ganhar e acreditar que ganhamos.
Vemos um filme à noite e cantamos uma canção a caminho de casa.
E pisaste quem hoje? Pediste desculpa hoje?
Não, porque eu sou e sei e vou para onde eu quiser quando quiser.
Está bem, e abraçaste quem hoje?
Uma cerveja, vinte cigarros, três canções, um par de amigos.
Miúdas bonitas, noites sem fim. Talvez o fim seja só quando amanhece.
Depois começamos de novo.
É uma espécie de tordo. Talvez porque tordo me faça lembrar atordoado.
O que eu quero dizer é que é demasiado curto, é pouco tempo
não é preciso desperdiçarmos tanto.
Um mais um faz dois, talvez seja quanto baste para entendermos a vida
e ainda assim, se não a entendermos...
Vejo que os anos passam, mas na realidade só tenho este.
Dão-nos tudo. Aprendemos.
Mudamos, crescemos e depois tudo acaba.
Acaba. E eu sou imortal.
Não. Não me entendam como se já me conhecessem.
Tu não me conheces, ninguém me conhece.
Eu não sou daqui.
Os textos escrevem-se para se criarem ilusões.
Ninguém sabe a dor de ninguém.
Ninguém escreve a dor de ninguém.
Podes até dizer-me o que queres,
virar costas quando quiseres,
mas ninguém sabe o que me vai.
Ser igual não é mais que ser diferente.
Mudar a cor é saber de cor quantas coisas disseste.
Guardar no peito a lembrança de sempre.
E isso é o quê? Só eu sei.
Não houve nem haverá porque só há isto.
E isto perde-se aqui, nesta lembrança.
Acabou.
Não me faz confusão, não me dói mais do que isto.
E é o quê isto? Quem vem de cá, quem vai para lá?
Porque os levam às séries, com motivos iguais?
Porque levam esta vida para levar os demais?
Que motivação maior há senão a que há.
No fim da estrada há-de haver sempre quem me queira agarrar,
nem que eu não valha nada,
alguém me vai querer furar e levar o que eu tiver nos bolsos.
Não é isso que se diz, não é isso que se faz.
Não se ama mais hoje? Não se faz nada por ninguém, hoje?
Tu fizeste o quê hoje?
"Foste um bom robot, hoje?"
Tiraste o quê hoje? Abraçaste quem, hoje?
Encheram-te o bolso?
Fodeste quem hoje?
Diz-me!
Diz-me porque eu não entendo.
Eles estão todos a ir embora, todos.
Não tarda iremos nós.
E quem é que tu beijaste hoje?
Não interessa.
Vamos a correr.
Todos a correr para os carros, para o trabalho,
ganhar e acreditar que ganhamos.
Vemos um filme à noite e cantamos uma canção a caminho de casa.
E pisaste quem hoje? Pediste desculpa hoje?
Não, porque eu sou e sei e vou para onde eu quiser quando quiser.
Está bem, e abraçaste quem hoje?
Uma cerveja, vinte cigarros, três canções, um par de amigos.
Miúdas bonitas, noites sem fim. Talvez o fim seja só quando amanhece.
Depois começamos de novo.
É uma espécie de tordo. Talvez porque tordo me faça lembrar atordoado.
O que eu quero dizer é que é demasiado curto, é pouco tempo
não é preciso desperdiçarmos tanto.
Um mais um faz dois, talvez seja quanto baste para entendermos a vida
e ainda assim, se não a entendermos...
quarta-feira, setembro 15, 2010
Destitulado.
Precisamos de calor
precisamos de frio
precisamos da vida
do coração vazio
da lembrança ténue
da doce vingança
do desejo célere
e da tua inconstância.
Precisamos de amor
de vontade e querer
se perdemos o furor
vamos logo deixar de querer.
Mas que mais me fizeram
lá na auto-estrada
o recomeço da entrega
o embrulho que nevava.
Não caí porque precisamos de nos levantar
e o que ela me deu
ficou lá atrás,
a chorar.
Mãe, o que levo daqui mãe?
Precisamos de ódio, mordaças, coisas em praças.
Precisamos do vídeo
das palavras parvas
do coração partido e das pernas fracas.
Fui ver um monte que me disse o que quis
porque precisamos de tudo
e eu preciso de ti.
precisamos de frio
precisamos da vida
do coração vazio
da lembrança ténue
da doce vingança
do desejo célere
e da tua inconstância.
Precisamos de amor
de vontade e querer
se perdemos o furor
vamos logo deixar de querer.
Mas que mais me fizeram
lá na auto-estrada
o recomeço da entrega
o embrulho que nevava.
Não caí porque precisamos de nos levantar
e o que ela me deu
ficou lá atrás,
a chorar.
Mãe, o que levo daqui mãe?
Precisamos de ódio, mordaças, coisas em praças.
Precisamos do vídeo
das palavras parvas
do coração partido e das pernas fracas.
Fui ver um monte que me disse o que quis
porque precisamos de tudo
e eu preciso de ti.
sábado, agosto 28, 2010
Pedras e passeios são caminhos.
Recomeça.
Não, não vás fazer essas lembranças as memórias que te comandam,
sejam elas aquilo que se fizerem,
recomeça.
Entraves são passageiros, diz no dicionário
e o Portugal de hoje é vazio, inóspito.
Reconheço o espaço,
reconheço esperança,
reconheço o árduo caminho que se faz
para se tirar e tornar atirar uma pedra mesmo à tua cabeça.
Um bocado de paralelo que se faça mais
na simples trajectória de matar
sim, de ferir de morte o que mais se vê
porque é para não mais veres.
Duas coisas retirei
três mais atirei
e nenhuma de acertou.
Esta pedra vai
vai e não pára
é direita à testa.
Fiz o caminho
a andar
sentado como quem vai.
A distância fez-se tua
não minha.
Não, não vás fazer essas lembranças as memórias que te comandam,
sejam elas aquilo que se fizerem,
recomeça.
Entraves são passageiros, diz no dicionário
e o Portugal de hoje é vazio, inóspito.
Reconheço o espaço,
reconheço esperança,
reconheço o árduo caminho que se faz
para se tirar e tornar atirar uma pedra mesmo à tua cabeça.
Um bocado de paralelo que se faça mais
na simples trajectória de matar
sim, de ferir de morte o que mais se vê
porque é para não mais veres.
Duas coisas retirei
três mais atirei
e nenhuma de acertou.
Esta pedra vai
vai e não pára
é direita à testa.
Fiz o caminho
a andar
sentado como quem vai.
A distância fez-se tua
não minha.
domingo, julho 11, 2010
Memória fotográfica.
Há verde de cor
preto incolor
que se funde no meu perdão.
As minhas mãos são como pás,
arrancar cheias do que me dás
e inventam a parte que não me enche.
Milhares me fazem um
e milhares me partem de um
Não te quero porque me quero do que quero o incrível.
É passível de mudar a mudança
eu sou eu, o que é meu é desta instância.
Uma vida é o que é demais
uma vida é o que é demais
compasso metronomado, empastado da solução
ela viu-me e afinal eu não.
É o poeta dramático que carrega a entoação teatral e o desejo de no final ser infeliz mas como um herói.
Não sei sequer o que dói.
Sou vulgar como de vulgar se faz.
Sou a paz que não tenho e não quis e nem sei como isto se diz.
preto incolor
que se funde no meu perdão.
As minhas mãos são como pás,
arrancar cheias do que me dás
e inventam a parte que não me enche.
Milhares me fazem um
e milhares me partem de um
Não te quero porque me quero do que quero o incrível.
É passível de mudar a mudança
eu sou eu, o que é meu é desta instância.
Uma vida é o que é demais
uma vida é o que é demais
compasso metronomado, empastado da solução
ela viu-me e afinal eu não.
É o poeta dramático que carrega a entoação teatral e o desejo de no final ser infeliz mas como um herói.
Não sei sequer o que dói.
Sou vulgar como de vulgar se faz.
Sou a paz que não tenho e não quis e nem sei como isto se diz.
domingo, junho 27, 2010
Ruma.
Hoje o desejo passa-se devagar.
Perdido, deitado ao escuro,
moendo o que demais se dá.
As folhas perdidas para o chão
memorizam o que se dão:
um grande conjunto de recompensas.
Não levo muito do enorme que tenho
porque ter não é poder.
Um traço se desliga e relega aos assuntos
um outro mais me faz pensar no quanto me dou
Não sei outra estrada, outro caminho de nada
refaz-me o preço doutra fachada.
Estou triste, de facto faço-me triste.
Não há mal nenhum nisso
só esta vontade me move ao ficar contente
depois de dormir.
E conseguisse eu dormir
descansado, sem um prado de partidas que me fecham
e me levam.
Hoje estou bem, estou triste, mas estou bem
amanhã estou o que sou
hoje estou. Quando me lembram do que sou?
Dói-me o peito, não, não é o coração
dói-me o peito. Se calhar fumei demais,
se calhar fui demais o que sou
isso não serve
não é disso que se leva o partido
Eu? Partido? Não, ninguém me levou para aqui
fui pelo meu pé.
Perdido, deitado ao escuro,
moendo o que demais se dá.
As folhas perdidas para o chão
memorizam o que se dão:
um grande conjunto de recompensas.
Não levo muito do enorme que tenho
porque ter não é poder.
Um traço se desliga e relega aos assuntos
um outro mais me faz pensar no quanto me dou
Não sei outra estrada, outro caminho de nada
refaz-me o preço doutra fachada.
Estou triste, de facto faço-me triste.
Não há mal nenhum nisso
só esta vontade me move ao ficar contente
depois de dormir.
E conseguisse eu dormir
descansado, sem um prado de partidas que me fecham
e me levam.
Hoje estou bem, estou triste, mas estou bem
amanhã estou o que sou
hoje estou. Quando me lembram do que sou?
Dói-me o peito, não, não é o coração
dói-me o peito. Se calhar fumei demais,
se calhar fui demais o que sou
isso não serve
não é disso que se leva o partido
Eu? Partido? Não, ninguém me levou para aqui
fui pelo meu pé.
terça-feira, junho 15, 2010
Rasgo-te o que quiser.
Não se faça a história por escrever histórias
faça-se a história pela história
por ela existir fechada
dentro de quatro paredes
por existir só na realidade de um
de mais ninguém.
Não se comprove o que se quer
porque não podemos ter o que somos
podemos ser o que fomos
perdidos
deslocados
e apartados.
faça-se a história pela história
por ela existir fechada
dentro de quatro paredes
por existir só na realidade de um
de mais ninguém.
Não se comprove o que se quer
porque não podemos ter o que somos
podemos ser o que fomos
perdidos
deslocados
e apartados.
quinta-feira, junho 03, 2010
Mas que regras, que sofreguidão.
Recuso-me a ter regras e esta é uma regra minha.
Estou farto e cansado de andar sempre de lado,
cai-me a distância e o partido do mais abastado.
Não me orgulho da memória e faço questão de não me esquecer
que é minha a vitória no demais de mais se querer.
Brinco as cartas de veludo,
aos momentos que me mudo
quero só poder contar
um dia a correr devagar.
Farto. Que regras? Que sofreguidão!
Corre o mundo, às avessas
no parvo simples de ouvir
vou direito nas travessas
se simples torto me despir.
Não quero, não sou, não vou, são as regras que me dou
e se não concordas com estas, não faz mal, eu lá vou.
Estou farto e cansado de andar sempre de lado,
cai-me a distância e o partido do mais abastado.
Não me orgulho da memória e faço questão de não me esquecer
que é minha a vitória no demais de mais se querer.
Brinco as cartas de veludo,
aos momentos que me mudo
quero só poder contar
um dia a correr devagar.
Farto. Que regras? Que sofreguidão!
Corre o mundo, às avessas
no parvo simples de ouvir
vou direito nas travessas
se simples torto me despir.
Não quero, não sou, não vou, são as regras que me dou
e se não concordas com estas, não faz mal, eu lá vou.
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