Pudessem os ouvidos escrever o que são
o que dão na entrada da sala
e na saída da rua
pudessem as sombras ser só sombras
só retratos de dias
de coisas úteis que se fazem para lá.
Pudesse o chão não fugir
o céu ficar parado
pudesse tudo parar para não me deixar mais
pudesse ir eu ali
ficar cá e tornar a vir daqui
Não é de branco
é de preto
o mundo muda
e é hoje
Não é de branco
é de preto
e os passos que se seguem
determinam.
sábado, março 02, 2013
terça-feira, fevereiro 26, 2013
Então é.
Nunca fui de coisas alegres.
Não sei porquê mas nunca fui de coisas alegres.
Sempre tive esperança.
Esperança que as coisas mudassem.
Não mudou nada disso mas vejo o meu país afundado na sua própria desilusão
vejo os dias somarem-se, pessoas a desertarem e a deixarem o melhor arder.
Não sei mas nunca fui de canções alegres.
Houve um dia e outro que as corei mas as canções alegres nunca foram para mim.
Torno a ver o país que sempre foi dentro de mim.
Não há muito a dizer,
o país de mim desmonta-se aos poucos, desacredita-se aos poucos
porque os braços não ficam levantados
só se levantam à chegada
ficar nunca foi para nós
é mais ir e voltar mais tarde
como se uma conversa pudesse ser adiada
como se um dia pudesse ser adiado
e permanecemos inertes, cúmplices e coniventes
descrentes do presente a desejar que tudo seja como é fora da nossa casa.
A galinha da vizinha é dela, não é tua
roubá-la não me dá pertença
só a voz é minha
até os sapatos me podem levar
e só a voz é que é minha.
E não adianta gritar porque ao sair do teu corpo é dos outros
e a entrega tem que ser de todos
e a batalha tem que ser de todos
e tudo tem que ser de todos.
Não somos nós sem nos termos uns aos outros
Não nos queremos sós porque somos uns dos outros.
Não é hora, não é tempo, já acabou.
Não sei porquê mas nunca fui de coisas alegres.
Sempre tive esperança.
Esperança que as coisas mudassem.
Não mudou nada disso mas vejo o meu país afundado na sua própria desilusão
vejo os dias somarem-se, pessoas a desertarem e a deixarem o melhor arder.
Não sei mas nunca fui de canções alegres.
Houve um dia e outro que as corei mas as canções alegres nunca foram para mim.
Torno a ver o país que sempre foi dentro de mim.
Não há muito a dizer,
o país de mim desmonta-se aos poucos, desacredita-se aos poucos
porque os braços não ficam levantados
só se levantam à chegada
ficar nunca foi para nós
é mais ir e voltar mais tarde
como se uma conversa pudesse ser adiada
como se um dia pudesse ser adiado
e permanecemos inertes, cúmplices e coniventes
descrentes do presente a desejar que tudo seja como é fora da nossa casa.
A galinha da vizinha é dela, não é tua
roubá-la não me dá pertença
só a voz é minha
até os sapatos me podem levar
e só a voz é que é minha.
E não adianta gritar porque ao sair do teu corpo é dos outros
e a entrega tem que ser de todos
e a batalha tem que ser de todos
e tudo tem que ser de todos.
Não somos nós sem nos termos uns aos outros
Não nos queremos sós porque somos uns dos outros.
Não é hora, não é tempo, já acabou.
sábado, janeiro 12, 2013
Ando.
O gerúndio que fazendo e andando se recobra
para deixar que a obra se faça correndo ou parando
querendo ou desejando.
O gerúndio do comendo e passando, montando e
ao passar de novas trevas deixar-se de colegas
e passar ao mais além.
É de novo dia dê, dia de outra coisa mais
dia de amar como os demais
mas o corte fica-se a casa.
Deixar passos atrás, esperar como os demais
e heis que tudo se atrasa.
O problema é que não vamos, o problema é o que temos
o problema é o que damos e não damos ao desejar.
Investir, olha que saudade, eu quero mais é a tua metade
e daqui não saio mais.
Não entendes ir à boleia
porque os murros dão-se na traqueia
até acabar o ar.
para deixar que a obra se faça correndo ou parando
querendo ou desejando.
O gerúndio do comendo e passando, montando e
ao passar de novas trevas deixar-se de colegas
e passar ao mais além.
É de novo dia dê, dia de outra coisa mais
dia de amar como os demais
mas o corte fica-se a casa.
Deixar passos atrás, esperar como os demais
e heis que tudo se atrasa.
O problema é que não vamos, o problema é o que temos
o problema é o que damos e não damos ao desejar.
Investir, olha que saudade, eu quero mais é a tua metade
e daqui não saio mais.
Não entendes ir à boleia
porque os murros dão-se na traqueia
até acabar o ar.
segunda-feira, dezembro 17, 2012
Promessas e avessas.
Não quero mais prometer se é o querer que se prende ao demais que é de tais imperfeições que se dá aos balões da verdade da cidade que me é menos do que todos os jumentos que se pavoneiam por aí na saudade da querença que lhes pedem eloquência e se dizem caridosos por instância mais saudosos do que ambiciosos por si. Eu não prendo o que quero o que dou exagero e que desprezo por ti. Eles querem a verdade dizem partes do que ele sabe e recolhem os louros para si. Muitos mais que são e dão o pão à mão do seu irmão mas param. Param para parar de pensar e querer mais recomeçar a vontade de si. Tudo gira em torno do bom e o bom que é tão bom de ser bom para si. Não se partem de jejum vão sem parto nenhum ter ao longe daqui. Se ao menos soubessem escrever...
sexta-feira, dezembro 14, 2012
É um metedismo ou lá como queirais vós.
Eu não sei se é de mim ou se é só de mim
mas isto de ir assim assim não me faz ser melhor
Ora se me deito ao chão, ora se me quero a mais
bem sei que as doenças que tenho são só folhas de jornais
E um dia que se vem e querer-me na verdade
que eu me queira para alguém que diga bem da sua idade
porque o que somos somos todos e o que são os outros o serão
eu não levo mais um morto arrastado no caixão.
Peca-se a vulgar distância de dormir por outra instância
e o que escrevem de uma vez vale apenas por dois ou três
gatos que se fazem dois sapatos e às vezes mais vale ficar
que vir para aqui deitar ao ar.
Mãe, Pai, sou perfeito
escrevo letras a direito
vi um americano ali
quero ser como o que vi
Cansa-me esta prece de comer fruta de alperce
se só tivermos maçãs hei-de querer só romãs
Não é moda, meu filho, não é trova
Se percebes o que te diz não tem graça o teu nariz
Vá, à vontade, isto é tãããão terceira idade.
mas isto de ir assim assim não me faz ser melhor
Ora se me deito ao chão, ora se me quero a mais
bem sei que as doenças que tenho são só folhas de jornais
E um dia que se vem e querer-me na verdade
que eu me queira para alguém que diga bem da sua idade
porque o que somos somos todos e o que são os outros o serão
eu não levo mais um morto arrastado no caixão.
Peca-se a vulgar distância de dormir por outra instância
e o que escrevem de uma vez vale apenas por dois ou três
gatos que se fazem dois sapatos e às vezes mais vale ficar
que vir para aqui deitar ao ar.
Mãe, Pai, sou perfeito
escrevo letras a direito
vi um americano ali
quero ser como o que vi
Cansa-me esta prece de comer fruta de alperce
se só tivermos maçãs hei-de querer só romãs
Não é moda, meu filho, não é trova
Se percebes o que te diz não tem graça o teu nariz
Vá, à vontade, isto é tãããão terceira idade.
terça-feira, outubro 30, 2012
Sumário.
Resume-se que a vida se torne apenas uma
e que se queira da vida tudo
e que não se tenha nenhuma.
Sou turma que não quer aprender
se se rege uma regra é pelo mero saber
mas aprender no inteiro
uma perdida parte do morteiro
que ao rebentar se diz demais por si.
Não fui aparte pedir à arte que se desse por ninguém
se é que sou um desastre
um desastre de Marte não se dá ao desdém
mas em que parte há um filho,
um desejo de amigo que se queira em lá?
Não sou o gajo de cá
que se diz outra vez
empregado do mês
exemplar no portão.
Rego o jardim e tu vês
parto o mundo em três
dou-te parte e a mão.
Eu não vejo a sensatez
não me inteiro de ira
sei ser sensaborão.
e que se queira da vida tudo
e que não se tenha nenhuma.
Sou turma que não quer aprender
se se rege uma regra é pelo mero saber
mas aprender no inteiro
uma perdida parte do morteiro
que ao rebentar se diz demais por si.
Não fui aparte pedir à arte que se desse por ninguém
se é que sou um desastre
um desastre de Marte não se dá ao desdém
mas em que parte há um filho,
um desejo de amigo que se queira em lá?
Não sou o gajo de cá
que se diz outra vez
empregado do mês
exemplar no portão.
Rego o jardim e tu vês
parto o mundo em três
dou-te parte e a mão.
Eu não vejo a sensatez
não me inteiro de ira
sei ser sensaborão.
terça-feira, junho 19, 2012
Faz já um ano ou dois.
É. Há algum tempo que se faz isto assim.
Tudo preso, tudo andar.
É. Faz-se há algum tempo assim.
Lágrimas não são lágrimas por detrás da desculpa.
E que desculpas. Elas desdobram-se sempre.
De tudo há e tudo serve para uma boa desculpa
a não ser quando não há desculpa nenhuma.
Aí há o silêncio e o silêncio é de ouro.
Ouro metal precioso que se monta atrás do valor
e o valor que tens emerge sempre que me lembro que não há dor.
Bom, de que serve uma consciência,
de que serve um senso de noção
é no chão que nos devemos manter.
Não querer e poder
e andar e querer
sabes? Pouco sabes.
Não me dizes pois não sabes.
Eles escrevem o que querem, definem o que querem
mas a vida que eles ditam é apenas deles
e a nossa, ou até mesmo a minha
ninguém dita
porque, como tantos outros, ela é só minha
e a posse que detenho é de outro.
Entenda-se, a posse não é nossa.
Não somos donos de nada
comemos contos de fada
e vivemos abertos ao céu.
Se ele cair, morreu.
Tudo preso, tudo andar.
É. Faz-se há algum tempo assim.
Lágrimas não são lágrimas por detrás da desculpa.
E que desculpas. Elas desdobram-se sempre.
De tudo há e tudo serve para uma boa desculpa
a não ser quando não há desculpa nenhuma.
Aí há o silêncio e o silêncio é de ouro.
Ouro metal precioso que se monta atrás do valor
e o valor que tens emerge sempre que me lembro que não há dor.
Bom, de que serve uma consciência,
de que serve um senso de noção
é no chão que nos devemos manter.
Não querer e poder
e andar e querer
sabes? Pouco sabes.
Não me dizes pois não sabes.
Eles escrevem o que querem, definem o que querem
mas a vida que eles ditam é apenas deles
e a nossa, ou até mesmo a minha
ninguém dita
porque, como tantos outros, ela é só minha
e a posse que detenho é de outro.
Entenda-se, a posse não é nossa.
Não somos donos de nada
comemos contos de fada
e vivemos abertos ao céu.
Se ele cair, morreu.
domingo, abril 29, 2012
Seguimos.
Seguimos todos em frente nas vontades de azul.
Azul tristeza e cinzento que se desdobra nas vontades do sul.
Se todos somos na união o que nos une nos deixa no momento de pintar
porque o mundo muda e quando muda não há nada mais para mudar
Os que nos pensam e nos querem só nos pedem para continuar
é simples fácil o retrato e metade do que dão serve para continuar
e se tu mudas e eu não de nada serve porque temos todos que mudar
e quem se fica quando tudo, tudo o que queres serve apenas para te calares?
Azul tristeza e cinzento que se desdobra nas vontades do sul.
Se todos somos na união o que nos une nos deixa no momento de pintar
porque o mundo muda e quando muda não há nada mais para mudar
Os que nos pensam e nos querem só nos pedem para continuar
é simples fácil o retrato e metade do que dão serve para continuar
e se tu mudas e eu não de nada serve porque temos todos que mudar
e quem se fica quando tudo, tudo o que queres serve apenas para te calares?
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