Há dias em que sentimos o calor que se atravessa no frio da nossa vida.
Não importa se a vemos mais acima ou abaixo ou até mesmo pelo centro da gravidade emocional
importa antes o que vivemos nela.
Não há coisa alguma que possa ver porque tudo terei mais ainda para olhar.
Não adianta pedires ou pensares, o que é é o que é, do que foi.
Eu ouvi os gritos, eu vi as pessoas, eu fiz a distância,
não exactamente por esta ordem, mas vivi-a em mim.
Espero que estejas bem, nesse outro lado desconhecido,
espero que te recebam bem, que a encontres um dia diferente deste.
Espero que nos ouças a rir e a chorar tudo que foi
mas a puta da dor de ires embora há-de ficar.
E se a vida eterna é a perpetuação da memória?
E se o Alzheimer nos engana?
E se noutro dia for mais fácil e no outro mais difícil?
E se realmente o ser humano tiver razão um dia?
Não há dor igual a esta, porque não há ninguém igual a mim
hei-de dizer tudo e mais o que viver.
E se viver a vida eterna for deixarmos descendentes?
E se tudo que dizem for verdade?
E se for tudo mentira?
Ah, porra.
Porque nos perguntamos tantas vezes do que andamos aqui a fazer?
Os óculos de sol, as calças da moda, a posse infindável.
O sexo, o ardor, a doença, o pudor, as discussões,
as lembranças, o partido olhar da indiferença.
Dói tudo.
Gostava de falar a todos, de dizer a todos desta indiferença,
esta indiferença colectiva de ser mais qualquer coisa que não se é.
Que dom? Que trabalho? Que noite mal dormida? Que vida mal vivida?
Que morte? Que choro? Que reentrância cá está?
Que buracos abrimos? Que perguntas fazemos? Que dias duramos e perduramos?
Descobrir como amar é mais que viver ou morrer, é tudo junto,
é cada bocadinho de vida que temos e cada bocado de morte que conquistamos.
Amo-te, mas já foste embora.
Se depender de mim a tua vida eterna, assim a terás, cada dia, num dia.
sexta-feira, novembro 14, 2008
sexta-feira, novembro 07, 2008
Segue-se o prato principal.
Todos os dias somos aquilo que não fomos nos outros dias.
Querem-se todas as coisas de uma só maneira.
Detestamos que nos pisem e amassem,
isso fazemos nós a nós próprios.
É melhor, mais doloroso e bem mais, mais.
Não houve um dia que não pensasse que não o pudesse fazer
mas esses dias desdobram-se.
Odeio, odeio
hoje sei o que significa.
Nunca antes foi ou será o que é no detrás.
Não se façam as memórias de uma fútil futilidade.
Querem-se maiores e mais fortes
a dormir descansadas
sem espaço para poderem reflectir as vezes necessárias.
Foda-se, não adianta ser exactamente o que queres
pois a utopia irá corromper-te até ao fim.
Pára a necessidade do desprezo porque certamente irei mais longe
amanhã.
Hoje quero que se parta em dois
amanhã já não
hoje não parte.
Querem-se todas as coisas de uma só maneira.
Detestamos que nos pisem e amassem,
isso fazemos nós a nós próprios.
É melhor, mais doloroso e bem mais, mais.
Não houve um dia que não pensasse que não o pudesse fazer
mas esses dias desdobram-se.
Odeio, odeio
hoje sei o que significa.
Nunca antes foi ou será o que é no detrás.
Não se façam as memórias de uma fútil futilidade.
Querem-se maiores e mais fortes
a dormir descansadas
sem espaço para poderem reflectir as vezes necessárias.
Foda-se, não adianta ser exactamente o que queres
pois a utopia irá corromper-te até ao fim.
Pára a necessidade do desprezo porque certamente irei mais longe
amanhã.
Hoje quero que se parta em dois
amanhã já não
hoje não parte.
terça-feira, outubro 28, 2008
O desmembramento.
Ela mostrou-se imponente e relutante em querer o que adiante se via querer mais.
Não havia uma frase ou uma casa que juntasse aquela asa ao demais.
Não me faço. Não me vejo na montanha, atrás daquela jovem estranha
que se prende no olhar.
Outra vida se desfez numa vontade, perdida com o peso da idade
de querer tão só crescer.
Esta rima do casal, que tanto se torna habitual,
que se desliga do princípio e se pára no não ser.
E confundir não é mais que querer viver
andar à procura de querer ter
porque no que sente não mais se vai.
Retrata e canta o espaço da manta que mais um dia se viu
vem agora, tão devagar, passa a ser o espaço de se dar e de voltar ao que se riu.
Mostra, faz a tua emenda
todos temos esta comenda
e sabemos onde vai acabar.
Não havia uma frase ou uma casa que juntasse aquela asa ao demais.
Não me faço. Não me vejo na montanha, atrás daquela jovem estranha
que se prende no olhar.
Outra vida se desfez numa vontade, perdida com o peso da idade
de querer tão só crescer.
Esta rima do casal, que tanto se torna habitual,
que se desliga do princípio e se pára no não ser.
E confundir não é mais que querer viver
andar à procura de querer ter
porque no que sente não mais se vai.
Retrata e canta o espaço da manta que mais um dia se viu
vem agora, tão devagar, passa a ser o espaço de se dar e de voltar ao que se riu.
Mostra, faz a tua emenda
todos temos esta comenda
e sabemos onde vai acabar.
terça-feira, outubro 07, 2008
Grave.
Talvez precise de um psiquiatra.
Talvez precise de dias a fio a idolatrar o meu corpo.
Talvez precise de horas ao espelho a pensar no que sou.
Talvez precise de ti.
Talvez precise de mim.
Talvez me digam o que está mal comigo.
Talvez eu aceite o que está mál comigo.
Talvez venham dias e dias sem parar e amar.
Talvez seja a crise.
Talvez outro dia eu escreva com mais orgulho.
Talvez outro dia me desmonte com mais facilidade.
Talvez outro dia faça sorrir.
Talvez outro dia me desfaça a rir.
Talvez seja o dia de mudar.
Talvez seja a hora de querer ficar.
Não me vou porque quero o que sou na vontade de querer
e vontade de dizer que não são assim as coisas
sem vírgulas e sem desejos que se querem agora
e amanhã e depois
e as justificações de se mudar
e as considerações do querer mais
quero quero quero quero quero quero
o quê?
de quê?
Não há gravidade nenhuma numa situação grave
é tudo uma questão de interpretação, manipulável.
Talvez precise de dias a fio a idolatrar o meu corpo.
Talvez precise de horas ao espelho a pensar no que sou.
Talvez precise de ti.
Talvez precise de mim.
Talvez me digam o que está mal comigo.
Talvez eu aceite o que está mál comigo.
Talvez venham dias e dias sem parar e amar.
Talvez seja a crise.
Talvez outro dia eu escreva com mais orgulho.
Talvez outro dia me desmonte com mais facilidade.
Talvez outro dia faça sorrir.
Talvez outro dia me desfaça a rir.
Talvez seja o dia de mudar.
Talvez seja a hora de querer ficar.
Não me vou porque quero o que sou na vontade de querer
e vontade de dizer que não são assim as coisas
sem vírgulas e sem desejos que se querem agora
e amanhã e depois
e as justificações de se mudar
e as considerações do querer mais
quero quero quero quero quero quero
o quê?
de quê?
Não há gravidade nenhuma numa situação grave
é tudo uma questão de interpretação, manipulável.
domingo, setembro 21, 2008
Reentrâncias.
Não há maneira de tirar aquelas pequenas coisas que odiamos em nós.
Não há maneira alguma de conseguirmos corrigir o que fazemos todos os dias,
religiosamente.
As rotinas sabem-se bem dentro da boca e das palmas das mãos,
simples, deixadas a correr como simples restos de pele
que se acumula por cima dos móveis.
Não vejas as coisas absurdas que há na repetição,
por favor não me vejas agora, neste sufoco
porque a vontade diz-se maior de se querer
é perferir isto de se dizer por de cima de coisas estranhas
e não me faço novo
faço-me novamente a uma melhoria imediata.
Liga-me os in's e os out's.
Não há maneira alguma de conseguirmos corrigir o que fazemos todos os dias,
religiosamente.
As rotinas sabem-se bem dentro da boca e das palmas das mãos,
simples, deixadas a correr como simples restos de pele
que se acumula por cima dos móveis.
Não vejas as coisas absurdas que há na repetição,
por favor não me vejas agora, neste sufoco
porque a vontade diz-se maior de se querer
é perferir isto de se dizer por de cima de coisas estranhas
e não me faço novo
faço-me novamente a uma melhoria imediata.
Liga-me os in's e os out's.
terça-feira, setembro 09, 2008
Por nada se escreve a vida.
Talvez a brincadeira incauta de se querer dizer tudo o que se faz
seja um passatempo, mero hobbie que desfaz os retalhos das recordações boas.
Odiar um caso de desespero restrito ao corpo é um ligeiro ataque de pânico
na conformidade da beleza escura.
Não te olhes à luz por entre as escamas de um animal raro.
Canta o declínio da vida,
esta vê-se, nas entranhas do podre poder.
A desilusão mascarou-se e saíu à rua.
Não pôs vírgulas e trocou a exclamação.
Morreu!
Deixa lá.
Talvez a verdade seja sempre mais reconfortante,
por ser verdade, não realidade.
Como se faz para voltar ao que não se teve?
Como se faz para andar sozinho na neve?
De par em par desfazem-se as multidões,
odeiam-se os corações.
Estou a aprender a fazer amor.
seja um passatempo, mero hobbie que desfaz os retalhos das recordações boas.
Odiar um caso de desespero restrito ao corpo é um ligeiro ataque de pânico
na conformidade da beleza escura.
Não te olhes à luz por entre as escamas de um animal raro.
Canta o declínio da vida,
esta vê-se, nas entranhas do podre poder.
A desilusão mascarou-se e saíu à rua.
Não pôs vírgulas e trocou a exclamação.
Morreu!
Deixa lá.
Talvez a verdade seja sempre mais reconfortante,
por ser verdade, não realidade.
Como se faz para voltar ao que não se teve?
Como se faz para andar sozinho na neve?
De par em par desfazem-se as multidões,
odeiam-se os corações.
Estou a aprender a fazer amor.
domingo, setembro 07, 2008
Se há? Claro.
Vou à merda, volto já.
Bom, começa sempre numa altura qualquer
faz-se inútil utilidade porque nos preenche
dá-se à vontade de querer ter.
Não é assim tão relutante o ser e o querer.
Eles às vezes dizem coisas que não entendemos,
outras vezes fazem coisas que ainda menos entendemos,
mas de que nos adianta? Se não somos eles que adianta entendermos?
Só nos passa a interessar mesmo quando interajem connosco.
Mas onde vamos nós nesta estrada pequena trilhada por outra pessoa?
Ele deixou-se sujar todo, fumou cigarros com ar de quem queria morrer,
desesperado recorreu à mulher, vezes sem conta, para lhe perguntar alguma coisa que só eles sabem.
O cheiro era insuportável,
ninguém conseguia lá estar
mas no fim, mesmo antes de vir embora, olhei
Estavam os dois, lado a lado.
O que faz uma vida ser a certeza da vida em si?
Bom, começa sempre numa altura qualquer
faz-se inútil utilidade porque nos preenche
dá-se à vontade de querer ter.
Não é assim tão relutante o ser e o querer.
Eles às vezes dizem coisas que não entendemos,
outras vezes fazem coisas que ainda menos entendemos,
mas de que nos adianta? Se não somos eles que adianta entendermos?
Só nos passa a interessar mesmo quando interajem connosco.
Mas onde vamos nós nesta estrada pequena trilhada por outra pessoa?
Ele deixou-se sujar todo, fumou cigarros com ar de quem queria morrer,
desesperado recorreu à mulher, vezes sem conta, para lhe perguntar alguma coisa que só eles sabem.
O cheiro era insuportável,
ninguém conseguia lá estar
mas no fim, mesmo antes de vir embora, olhei
Estavam os dois, lado a lado.
O que faz uma vida ser a certeza da vida em si?
terça-feira, setembro 02, 2008
Se gira refaz-se.
Uma outra vez soube que querer o que não se tem
não é muito mais que ter o que não se quer.
Não me julgues ou cobres a vida que não quiseste
porque ser, sim, ser, é bem mais do que o que se vê na televisão.
Os dias de outros preenchem-nos agora os pensamentos inúteis.
revemos vezes sem conta, nas nossas cabeças
a maravilha de podermos passear numa qualquer festa
envergando um troféu simples e bem adornado
(pega o dedo).
Estou ferido de piadas fáceis e frases feitas.
Dói-me uma coisa qualquer que não sei,
é como se a minha revolta se estendesse a uma parte obscura do meu ser.
Tudo se levanta consequentemente.
Há uma qualquer dor que se deita junto a mim para que a possa afagar.
Não mais me digas coisa nenhuma como se fossem coisas muitas,
não mais se fará a vida do retiro espiritual
porque agora é mais que normal.
Podem-se contar coisas no céu, no ar,
mas não se conta a vontade de gostar.
não é muito mais que ter o que não se quer.
Não me julgues ou cobres a vida que não quiseste
porque ser, sim, ser, é bem mais do que o que se vê na televisão.
Os dias de outros preenchem-nos agora os pensamentos inúteis.
revemos vezes sem conta, nas nossas cabeças
a maravilha de podermos passear numa qualquer festa
envergando um troféu simples e bem adornado
(pega o dedo).
Estou ferido de piadas fáceis e frases feitas.
Dói-me uma coisa qualquer que não sei,
é como se a minha revolta se estendesse a uma parte obscura do meu ser.
Tudo se levanta consequentemente.
Há uma qualquer dor que se deita junto a mim para que a possa afagar.
Não mais me digas coisa nenhuma como se fossem coisas muitas,
não mais se fará a vida do retiro espiritual
porque agora é mais que normal.
Podem-se contar coisas no céu, no ar,
mas não se conta a vontade de gostar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)