Ontem lembrei-me do que hoje me doía.
Queria saber o que era, que se servia frio.
Não sei que vingança eles planeiam,
que histórias tentam repartir entre os poucos que sobram.
Não sei quantas histórias eles querem dizer.
Há um monte, longínquo, que me diz a verdade.
Lá do cima do seu cume eu sei a verdade.
Mas que verdade pode ser mais reposta
na quantidade ínfima de desejos que se conhecem?
Dizem que não vamos para lá?
Mas quando nos tiram as pernas para andar?
É tarde para saber o que fazer.
É tarde para saber quantos desejos se contam na estrada.
Eu escrevi o que disse e disse hoje aquilo tudo que escrevi.
Para quê escrever o que não queremos dizer?
Qual o sentido?
Vivo alheado do que me é, meu, teu, deles.
Vivo um pouco alheado do que me sustenta e me dá alento.
Mas vivo.
Que coisas poderei eu escrever na necessidade?
Que coisas poderei eu dizer na necessidade?
Que as quero? Que as preciso?
Que coisas há que sejam nossas?
Faz lá o exercício,
que coisas há?
Não me prendas, não me deixes ir, por favor larga-me,
amanhã, de manhã?
Concerteza estarei a dormir.
quarta-feira, março 17, 2010
sexta-feira, março 05, 2010
Os cães virados para o mar.
É, os cães também se lembram, também desejam.
Nós gostamos todos muitos dos cães,
mesmo quando ladram que se fartam e quando não queremos saber deles.
Gostamos especialmente da sua serventia,
da personalidade estouvada que tudo faz por um presente.
Não somos muito diferentes dos cães, nós.
Corremos, com a língua de fora na areia
a tentar conquistar o mar
a tentar agarrar o mar,
a tentar nadar e fazer tudo o que ele nos deixa.
Mas não controlamos o mar,
não podemos prendê-lo nem guardá-lo numa caixa.
O lugar do mar é intocável.
Nós gostamos todos muitos dos cães,
mesmo quando ladram que se fartam e quando não queremos saber deles.
Gostamos especialmente da sua serventia,
da personalidade estouvada que tudo faz por um presente.
Não somos muito diferentes dos cães, nós.
Corremos, com a língua de fora na areia
a tentar conquistar o mar
a tentar agarrar o mar,
a tentar nadar e fazer tudo o que ele nos deixa.
Mas não controlamos o mar,
não podemos prendê-lo nem guardá-lo numa caixa.
O lugar do mar é intocável.
domingo, fevereiro 21, 2010
Perigo de queda.
Não se entende qual a necessidade de placas de aviso.
Não se entende porque fomos nós dotados da capacidade
de perceber o que é certo ou errado,
relativizando a vontade e a emoção que nos rege.
Não se entende porque nos colamos e pisamos em vontades iguais.
Queremos coisas iguais e se nos cansamos de procurar
tentamos tirar as coisas dos outros,
não que sejamos incapazes mas sim por sermos
simplesmente preguiçosos.
Não se compreende de que forma nos ligamos e deixamos ir
para sítios, que nos fazem sorrir mais e ser mais felizes.
A verdade é que só queremos sentir-nos bem,
e isso é o que faz com que todos os meios justifiquem os fins.
Não temos que ser todos iguais
não o somos, na nossa génese.
Mudar é aceitar o que somos e conseguir lidar com isso.
O perigo continua a existir.
Os sinais requerem atenção.
Não se entende porque fomos nós dotados da capacidade
de perceber o que é certo ou errado,
relativizando a vontade e a emoção que nos rege.
Não se entende porque nos colamos e pisamos em vontades iguais.
Queremos coisas iguais e se nos cansamos de procurar
tentamos tirar as coisas dos outros,
não que sejamos incapazes mas sim por sermos
simplesmente preguiçosos.
Não se compreende de que forma nos ligamos e deixamos ir
para sítios, que nos fazem sorrir mais e ser mais felizes.
A verdade é que só queremos sentir-nos bem,
e isso é o que faz com que todos os meios justifiquem os fins.
Não temos que ser todos iguais
não o somos, na nossa génese.
Mudar é aceitar o que somos e conseguir lidar com isso.
O perigo continua a existir.
Os sinais requerem atenção.
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
Se na estrada ele encontrasse alguém.
Queria ser bêbado, perdido por acender um cigarro, às 3 da manhã.
Ninguém na rua, nenhum destino, apenas bêbado, a tentar que o cigarro queimasse.
Passar por debaixo dos candeeiros e só por sorte não cair,
desiquilibrado por não conseguir sequer pensar que tenho que me desviar.
Um frio que podia cortar a pele, mas que o alcóol reclama como sendo dele.
Queria ser eu, bêbado, sem nenhuma coisa em que conseguisse pensar
talvez assim fosse mais fácil, desfalecer e dormir,
descansado.
A estrada tem estado tão gelada, tão vazia.
Andar sozinho, ver as matilhas que procuram comida,
os carros que não têm destino.
Onde estão todos?
Todos dormem?
Todos descansam a mente de pensar sem parar?
Que coisa é esta de o mundo parar?
Algum dia parou?
Não continuamos todos?
Queria só viajar, nem que fosse a dormir
Queria só parar por um momento, nem que fosse por cair.
Ninguém na rua, nenhum destino, apenas bêbado, a tentar que o cigarro queimasse.
Passar por debaixo dos candeeiros e só por sorte não cair,
desiquilibrado por não conseguir sequer pensar que tenho que me desviar.
Um frio que podia cortar a pele, mas que o alcóol reclama como sendo dele.
Queria ser eu, bêbado, sem nenhuma coisa em que conseguisse pensar
talvez assim fosse mais fácil, desfalecer e dormir,
descansado.
A estrada tem estado tão gelada, tão vazia.
Andar sozinho, ver as matilhas que procuram comida,
os carros que não têm destino.
Onde estão todos?
Todos dormem?
Todos descansam a mente de pensar sem parar?
Que coisa é esta de o mundo parar?
Algum dia parou?
Não continuamos todos?
Queria só viajar, nem que fosse a dormir
Queria só parar por um momento, nem que fosse por cair.
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
Correr e correr e correr e correr.
Não me lembro, não me lembro
a verdade é que não me lembro.
Não sei em que altura foi,
quem me fez de maneira a não me lembrar.
O entrudo diz que vem, e eu não me lembro quem tenha
o espaço reservado para o outro que chega.
Não me lembro, não me lembro,
a verdade é que nem sequer me lembro
quais as coisas que me deixaram
as verdades que me encantaram
a desejar o que esperava de mim.
Viajei noutra certeza,
desfiz-me em partes de beleza
e não me lembro não me lembro,
a verdade é que não me lembro
de me esquecer.
a verdade é que não me lembro.
Não sei em que altura foi,
quem me fez de maneira a não me lembrar.
O entrudo diz que vem, e eu não me lembro quem tenha
o espaço reservado para o outro que chega.
Não me lembro, não me lembro,
a verdade é que nem sequer me lembro
quais as coisas que me deixaram
as verdades que me encantaram
a desejar o que esperava de mim.
Viajei noutra certeza,
desfiz-me em partes de beleza
e não me lembro não me lembro,
a verdade é que não me lembro
de me esquecer.
quarta-feira, dezembro 30, 2009
Vá lá, parti só 482 pratos.
No dia, melhor que o outro dia, consegui não perder as estribeiras.
Peguei apenas no restinho mais demente de raiva para me livrar das entradas.
Remeti-me à sanidade, tentei ser só normal
e parti uma montanha para me deixar de solidão.
Eles vêm, tudo querem
eu desejo pouca ordem,
mas que desejo passo a pedir
quando as passas me deixarem para te perseguir?
Não quero regras para partir
parto só para não me deixar ficar a fugir.
É. Diz lá.
Vão-te dizer o que fazer para quereres o que quiseres, lá e aqui.
Diverte-me isto de ver.
Não tem piada quando nos vemos.
Peguei apenas no restinho mais demente de raiva para me livrar das entradas.
Remeti-me à sanidade, tentei ser só normal
e parti uma montanha para me deixar de solidão.
Eles vêm, tudo querem
eu desejo pouca ordem,
mas que desejo passo a pedir
quando as passas me deixarem para te perseguir?
Não quero regras para partir
parto só para não me deixar ficar a fugir.
É. Diz lá.
Vão-te dizer o que fazer para quereres o que quiseres, lá e aqui.
Diverte-me isto de ver.
Não tem piada quando nos vemos.
segunda-feira, dezembro 28, 2009
Mundialmente famoso.
Adoro pessoas apaixonadas
pessoas que acreditam que tudo dura para sempre
e que não há nada que seja capaz de destronar o amor.
Adoro pessoas que acreditam, que rezam,
pessoas que sabem que quando ninguém lhes atender o telefone
têm com quem contar. Basta falarem para algum lado,
dar uma intenção e voilá.
Adoro que me mostrem que estou errado,
que mesmo com a convicção que consigo
nunca hei-de conseguir.
E adoro ter sempre razão,
mesmo quando sei que te estou a manipular
para cantares a minha canção.
Não se partem mundos por sermos famosos
não conseguimos ser imundos
se estivermos sempre esterilizados.
O que queremos hoje é ser eternos
mas nunca havemos de ter tantas páginas de inferno
no deserto dos actos sozinhos,
no deserto das crenças inexistentes,
no deserto do meu mundo, sozinho,
a morrer de sede, à espera de uma miragem.
pessoas que acreditam que tudo dura para sempre
e que não há nada que seja capaz de destronar o amor.
Adoro pessoas que acreditam, que rezam,
pessoas que sabem que quando ninguém lhes atender o telefone
têm com quem contar. Basta falarem para algum lado,
dar uma intenção e voilá.
Adoro que me mostrem que estou errado,
que mesmo com a convicção que consigo
nunca hei-de conseguir.
E adoro ter sempre razão,
mesmo quando sei que te estou a manipular
para cantares a minha canção.
Não se partem mundos por sermos famosos
não conseguimos ser imundos
se estivermos sempre esterilizados.
O que queremos hoje é ser eternos
mas nunca havemos de ter tantas páginas de inferno
no deserto dos actos sozinhos,
no deserto das crenças inexistentes,
no deserto do meu mundo, sozinho,
a morrer de sede, à espera de uma miragem.
quarta-feira, setembro 30, 2009
Mas ainda te lembras?
A memória sempre foi um assunto recorrente
neste deixar de impertinências que se reencontram.
Não me lembro de dia algum que tivesse hesitado
rebentado de recordação de me esquecer para onde vou.
O partido de que falo desmonta-me o interlúdio
querer parte do fácil parto é mais que simples ser.
Mas que ser? Qual?
De lembrança fresca e gasta me desfiz noutra de agora
vou, talvez embora mais tarde,
talvez me faça de padre, não sei.
Razão, perdido no encontro comigo.
Aí não vou, pelo menos para já, ainda é cedo.
Mas ainda te lembras das vezes que disseste adeus e ficaste?
É agora que me lembro quantos são e quantos tenho
e cantá-los na lembrança é lembra-los com esperança.
No coração me fica, perdido por entre outras,
sou forte cheio de partes,
fiquem, meus amigos cheios de artes.
neste deixar de impertinências que se reencontram.
Não me lembro de dia algum que tivesse hesitado
rebentado de recordação de me esquecer para onde vou.
O partido de que falo desmonta-me o interlúdio
querer parte do fácil parto é mais que simples ser.
Mas que ser? Qual?
De lembrança fresca e gasta me desfiz noutra de agora
vou, talvez embora mais tarde,
talvez me faça de padre, não sei.
Razão, perdido no encontro comigo.
Aí não vou, pelo menos para já, ainda é cedo.
Mas ainda te lembras das vezes que disseste adeus e ficaste?
É agora que me lembro quantos são e quantos tenho
e cantá-los na lembrança é lembra-los com esperança.
No coração me fica, perdido por entre outras,
sou forte cheio de partes,
fiquem, meus amigos cheios de artes.
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