quarta-feira, agosto 06, 2008

As lojas dos mil ofícios.

Visitei, outra vez, quinhentos espaços que me lembravam de ti,
explorei as entranhas dos sonhos e disse-me forte o suficiente para continuar a tentar.
Não, advérbio de negação.
Disse-me forte o suficiente para não voltar a tentar.

"De onde vêm estas coisas que me berram aos ouvidos?"

Os corredores eram mais estreitos do que o que me lembrava,
não havia tralha alguma que me impedisse a passagem à minha ida,
mas no caminho do volta só por sorte consegui evitar ficar preso
no meio de pilhas e pilhas de recordações.

As vontades são apenas coisas, como mesas e cadeiras,
as vontades são como cervejas servidas em pequenos copos de plástico,
as vontades são como os cigarros,
acabam depressa.

Emoções, sentimentos, ilusões, vermes pestilentos.
Não me vou fazer mais ou fazer mais alguém ou dizer mais algum.
Vou o que sou não sou e não dou, não é mais nada, nada de nada.

Ora, acabou.

Não se diz mais o que fazer a seguir.

Acabou.

Somos os passos que se dão a seguir.

Acabou, a indecisão acabou.

E agora não há mais nada a seguir.

Acabou.

Talvez...

quarta-feira, julho 30, 2008

Andamos sempre depressa.

Andamos sempre depressa e não nos esquecemos nunca que andar depressa desfaz a parte que mais nos interessa manter.
Se calhar não é essa mesmo que queremos que seja para sempre útil e fácil mas pretendemos crescer na vontade de conseguir o prazer e liberdade total.
Não o fazemos em nós.
Matamos coisas por serem coisas, destruímos a inutilidade de ser isto só para ser aquilo.
Consumimos todas as substâncias e mais algumas, todas com a ambição de nos fazerem sentir melhor.
Do que precisamos para sermos mais ninguém sabe,
nem a malograda ciência nos dá a resposta ao que queremos saber.

Desculpa todas as vezes que não vi.

Somos nós que vamos em frente. Os que ficam.

sábado, julho 26, 2008

Razão.

Dá-se por demais contente o encanto da outrora vindoura consciência,
não se desliga a casa do vizinho pois esta parece sempre relutante em nos abrir a porta.
QUantos são hoje? Contar os dias de quem me recebe por encanto mágico
é tarefa que deixa qualquer um exausto de tanto querer ver o real que se deixa.

"Vens hoje? Para ver os carros a correr para lado nenhum, deixamo-nos ao desafio de apagar as luzes, que dizes?"

Não se fazem mais lembranças sem a visão de se querer ter o deslumbre,
esquecem-se as entranhas profundas que revoltam o estômago por tão bom se querer intenso.

"Não quero, não vou."

Por demais é demais o demais de se ter demais.
Nunca é o que nunca foi e desliga-se a memória.

Quantos serões mais em breve retorno de tudo que passaste,
os tiques da lembrança moem e moer não é bom.

terça-feira, julho 22, 2008

Fundições fruídas.

Podemos ouvir tudo que nos têm para dizer dentro da nossa cabeça,
antes mesmo de nos dizerem.

sexta-feira, julho 18, 2008

Fazer e ocultar.

São várias as formas que se podem dar a algo que queiramos deixar,
não se escrevem oportunidades nas paredes da vontade,
só coisas prosáticas de um outro encanto enfático.

Não sejam de tudo o que foi o vazio que se teve,
dessa tragédia grega e querida para ser sejamos tudo o resto
e deixaremos que tudo jorre, pois daí vem a vontade de mais.

Que mal há em dizer que não se quer?
Que coisas se farão dentro da canção que logo acaba?
30 primaveras para tudo acabar?
O que tem o número 30?
Quando faremos nós desta vontade uma vontade própria?

quinta-feira, junho 19, 2008

Recrimino-me determinantemente.

São os dias de odores estranhos e indecências no quarto de hóspedes
as farsas querem-se hoje, sem mais demoras,
apenas para se adorarem umas às outras.
Os vinténs mantêm-se no seu sítio, longe do olhar dos pobres,
e são as esmolas que damos aos que gostamos.
Não me digas que agora também não está bem? Não me digas.
Mas insiste-se sempre em dizer.
Grandes bocas, tristes feridas que se cortam para as tesouras se usarem.

Abrir a cabeça em três sítios só com o químico que se faz,
sozinho? Nem pensar, as crenças desmoronam-se.

Não hei-de viver se alccolizado me mantiverem na estrada,
não hei-de sair do carro, não hei-de sair da mesa do café.
Não posso pagar nada, nem sequer o tabaco
mas a mim querem-me sempre de pé, pronto.

Hoje não vou, quero que tudo isso se passe ao inferno relativo.
Amanhã logo se vê mas hoje não quero,
o problema é que amanhã vai doer, mas eu hoje não quero.
Que se passe a recriminação ao raio que a parta.

segunda-feira, maio 12, 2008

Reclusão.

Vão centenas de espécies queixar-se ao director
pois este trata tudo de maneira diferente.
Uns fecham-se outros não,
uns castigam-se outros não.

Da injustiça da liberdade dá-se a prisão.

terça-feira, maio 06, 2008

Não há coisa nenhuma.

Não há coisa nenhuma que nos possa fazer mais felizes do que o que somos,
porque coisa nenhuma nos tira a transparência do que damos e queremos.
Seremos nós, portanto, desde a nossa mais interna natureza apenas aquilo que somos.

Não me deixo por isto ou aquilo naquilo que vou e fui para ser,
não te desligo a tomada quando queres porque se não me vês é de necessidade que me fico.
Não quero absolutamente nada, nada de nada.
Não quero coisa nenhuma que se queira assim só por querer, por ir e só gemer
por não ter.
Não me deixes ser porque eu o sou, estranho neste mundo de miséria humana que se deixa triste na pobreza mundana do mundo sarcástico.
Não quero ser um nem dois nem três nem quatro,
tomar as decisões por mim, chorar por mim, focar triste por mim,
e o terceiro, que não é o segundo de nós, deixa-se ir,
porque não interessa, só interessa mudar um, mais nenhum.
Não há propósito na tristeza de ser
não há um propósito.