domingo, março 25, 2007

Dançar desmembra-me os pensamentos.

Detesto tudo.
Não gosto de nada,
nem sequer de redundâncias.
Não gosto de me fazer grande se sou pequeno e GRANDE.
Gosto de dizer coisas complicadas que são no fundo um pedaço excremental que para nada serve.
Escrevo como um labrego e desejo-me a correr todos os dias para me manter em forma
porque portas abrem-se e fecham-se sem me quererem dizer onde vou.

Atar-me a um poste e torturar-me com contas matemáticas que não consigo entender.

Lembra-me isto que a praxe existe.
Era giro contar a minha experiência de praxe
haverá coisa mais inútil?

Outros espaços são momentos que não queremos para nós
queremos toda a gente à nossa beira e quando o temos não sabemos o que fazer com isso.
Prometo que não vou levantar a cabeça,
prometo mesmo!
Quero lá saber das afirmações de estilo, não vou, eu não quero!

sábado, fevereiro 03, 2007

Dias e dias.

Há dias em que os pensamentos nos martelam,
martelam-me / nos a cabeça sem parar,
não fazem mais nada.
Estar, não estar, ir não ir não faz qualquer diferença.
Perdemo-nos nas explicações dos diálogos e na perdição de sermos qualquer coisa que não somos.
Criar é ir e respirar, cria-nos tudo e mais.
Posso sentir agora tudo sem sentir nada porque isso faz de mim um homem melhor.
Porquê ter medo de dizer amo-te quando o que se vai deixa-se no que se vem?
Há 500 factores que podia esmiuçar delicadamente
mas deixar-me à indeferença de mais um copo
produz em mim um efeito de sedução relutante.

Cala-me duas vezes e se não chegar não me cales mais.

As enormidades de um estranho.

Estar parado não é mais que isso mesmo
mas avançar é suspeito.
Não quero saber mais dos demais, só de mim.
Agora deixo que os outros pisem as entranhas de alguma coisa que respira
para mim,
respira para mim.

Não deixar que me venha outra vez algo que se foi
o que foi não deixará de ser, digas aquilo que disseres.
Áspero no sentido de cortar os retratos feitos outra vez
não me desligues a tomada porque eu vou estar sempre ligado à corrente
mesmo que o faças.
Não quero mais nada senão o que tenho de me alimentar.
Não quero que se cale mais nada.
Se sinto o que sinto é porque o sinto cá dentro.
Sinto des-sinto-o.
Não me deixes, não faças, não queiras
porque eu sou só eu.
Eu.

Sou a noite porque me chamas.

Não, admito, não faz sentido, não faz sentido ser aquilo que não se é noites e noites a fio.

Ok, é só mais um espaço e outro e outro à minha frente.

Amanhã começo a sério.

Porque não te desintegras de uma vez?

Um, dois, três, quatro, cinco,
nascem os números da vontade de horas que quero dormir.
Sou o explicador da inocência urbana
por isso não sou nada.
Não conheço a maldade, não conheço a felicidade,
não conheço a miséria e a desgraça,
não conheço alguém que me ultrapassa
e vou gritar sempre, com toda a força contra isso tudo,
porque eu não sei nada.

Vou beber até não me equilibrar e depois falar de filosofia barata com toda a gente
dizer que sou contra ao aborto porque tenho uma tendência natural para viver,
mas espera? eu afinal sou a favor.
Não interessa, bebo o suficiente para que tudo se me desculpe.
É preciso alguém que diga tudo aquilo que quer
porque ninguém fala mais de coração aberto
e o meu diz asneiras e barnaridades umas atrás das outras

Vou pesar quinze situações,
fazer dos números as minhas facções comerciais
fazer da simplicidade de conhecer alguém o medo de não ter conhecido
para não avançar mais
e para correr mais longe que alguma vez corri.
Vou-me desligar do mundo e ver televisão o dia inteiro
porque assim sei o que todos querem saber e sou o mais ligado de todos.
Detestar o que sou porque sou assim
e o mundo não é assim
e eu não sou assim
e tu não és assim, uma merda.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Pelas noites das noites adentro.

Foda-se. À merda!
Retalhos de mantas partidas em dois,
recantos de espaços divididos a dois
e agora a mais, mais,
à merda!
Falar para dizer apenas aquilo que não falamos
mais importante do que o que dizemos,
actos inglórios de querer mostar o melhor que há
e "à merda",
virar as costas nas alturas mais importantes mas ficar lá,
ouvir e perceber.

Nuns poucos de retalhos de mensagens subsequentes
vemos o mais que nos une em traços eloquentes
as palavras muitas vezes travam o que vai sobressair
mas sabes? as palavras também trabalham o desejo de nos ver sorrir.

Nunca desanimes amigo pois a vida tem disto, faz-nos viver.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

O guardanapo afinal nao disse nada.

O Sam the Kid irrita-me.

Sempre perguntei coisas a coisas. Desta vez fiz-me indecente do espaço e perguntei.
Não disse nada, porque a pergunta desdenhou o aceno da cabeça.
Fiz-me inteligente e ambicionei.
Já não consigo cantar como antes.
Agora, vejo e quero outra coisa, quando me esqueço da que tenho.
Não gosto de pensar que não sou ninguém,
mas penso que sou alguém para além de mim.
São coisas que se obturam.

Gostava de me instruir uma vez mais e outra atrás daquela mais
tal como quando não conseguimos largar a relação que tivemos
e continuamos a ter o mesmo acto durante horas a fio.
É subliminar a mensagem do que fazemos a nós próprios
mas fazemo-lo.
O frio fez-me pensar mais naquilo que não está a mais
mas também endurece as pedras do caminho com camadas de gelo fino.
Assim que parte vê-se o interior desfeito de uma pedra que rebolou do cimo da montanha para estar ao nosso nível subjugado.

No entanto o Sam the Kid até tem coisas boas. É pena.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Vejo tudo pelo meu binoculo.

Olha olha, outra vez a passar. Espetar coisas coisas coisas.
Olha olha, e agora andar.

Toca aquela que eu gosto.

Não! Não! Não!

Vejo tudo pelo meu binóculo, ou será monóculo?

Reclamas todos os dias pelo que tens e pelo que não tens
e eu vejo tudo pelo meu binóculo, ou será monóculo?

Não não não, não se faz isso.

Continuo acordado até de manhã.

Vou agora... procurar o cheiro de de manhã?
Retrata os simpósios de olhares abstractos. Escreves para soltar o que?
Para te prenderes mais.

Não fales mais para ti próprio na segunda pessoa, na segunda pessoa,
que nem alguém que tanto populariza a sua canção.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Blocos de Cimento parte dois.

Passei as horas da utilidade sempre a fazer o que a inutilidade manda.
Não irei desdenhar o que quer que seja
passei as horas da utilidade a perder tempo com a inutilidade.
Foi assim e assim é, a utilidade mantém-se na minha própria inutilidade.

Eu tenho tudo tudo, tudo o que quero.

Foi assim e assim é, a utilidade mantém-se na sua própria inutilidade.
Eu quero a paz à qual me dei sempre e quero-a de volta,
quero-a de volta com toda a sua decência de ser indecente quando me apetecer.
Não quero que venha tudo ao de cima como se quisesse ficar sempre lá em baixo.
Quero que cada coisa esteja no seu lugar,
a loucura, a tristeza, a alegria, e os momentos,
cada um no seu lugar.

São só blocos de cimento que me acertam na cabeça, blocos de cimento que
se amuralham à minha volta.