segunda-feira, março 14, 2011

Poema.

ComTexto #01
Faixa 7.
BitRadioRecords

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quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Corda.

Vitória, disse ela, de trunfos na mão
não se via nada, só tristeza e desolação

Nunca quis, em tempo algum
que se desse à perdição
mas ela sabe e há-de ver
na palma da mão.

Forjam-se palavras, desejos e emoções
ela diz que quer que a abras
há sentido pois, teve premonições

Mas na verdade, amor que quis
no seu íntimo dobra-o em mil
pois se um dia se desfizer
estarei com lobos, no seu covil.

Mas e agora?
Que partes me fazem?
Sem o teu amor,
que partes me fazem?

Na migração heis que vens
és tu e eu.
Na migração heis que vens
és tu...

sábado, janeiro 29, 2011

Sobre coisa nenhuma.

Se sobre coisa nenhuma fosse fácil eu escrever
assim o faria
diria o que coisa nenhuma quero dizer
na entrada da confraria.

Nos desejos dos pequenos me revejo no que é mais
e me quero aos retornos do que para sempre me vais.

Fazes o que não fizeste
aborreço-me do que se diz
e se fiz coisa alguma
foi porque sempre o quis.

Ele não vai
ele não vem
se ela foi
não é de ninguém
e o que tenho ainda sei
no que desejo parte
desejo tem.

Fui, sobre ninguém
refiz-me
sobre ninguém
E quem vem agora?

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Rotura.

Podes dizer que é fácil
até que se desdenha o que não se tem e quer
recomeça-se quantas vezes se quiser
recomeçar no que se quer acabar e tornar andar.

Não há mais por onde andar
por onde querer andar
não há mais
e ainda assim insiste-se em continuar
o que se espera acabar já.

Não não não é o que é que se quer no que se quer dar o que se espelha em tudo que é
Sim, não é o que é no que se espera no que se quer daquilo que é para ser tudo.
Não pode ser o que é se for o que é na verdade
não se pode dar o que se dá
não se pode
não.


E o fruto que colhi é maior do que eu possa carregar
e prefiro voltar ao não voltar
ficar no não ficar
ir e voltar
e andar.

Mãe, Pai
é isto que eu sou.

domingo, janeiro 23, 2011

Milagres.

Hoje queria falar sobre milagres.
Sobre o que esperamos que de tão extraordinário aconteça e que sabemos,
no nosso âmago, que nunca irá acontecer.
Queria falar daquelas coisas pequenas que nunca acontecem.

Já vivi uns quantos milagres. Mas antes entenda-se:

"milagre
s. m.
1. Facto sobrenatural oposto às leis da Natureza.
2. Portento, maravilha, prodígio."

O que me prende um pouco mais:

"A expressão “lei da natureza” é metafórica dado que não se trata de leis no sentido literal do termo: não são como as leis do código civil, por exemplo, ou do código da estrada. As leis, literalmente falando, distinguem-se das leis da natureza por várias razões, mas uma delas é central: a direcção de adequação é oposta. Por “direcção de adequação” (direction of fit), os filósofos querem destacar uma diferença fundamental."

Portanto continuamos iguais.
A verdade é esta. Vivemos na constante adequação de algo que não compreendemos
e para conseguirmos adormecer, todos os dias, estafados,
temos mesmo que guardar estas conceptualizações.
Mas hoje só me interessam os milagres.

Há milagres que se contam, que aconteceram comigo só

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Vem tudo numa caixa de cartão.

Chega a casa,
vem depois
não deixa nada
dos dois a dois
destroí um pouco
reclama mais
não há quem diga
quem são os quais.

Numa paranóia
feito quatro em tudo
não sei quem me leva
o sentido absurdo
e se me mudarem de cadeira
se me pedirem para a dar inteira
eu minto
porque o que é meu
é dentro do sim.

Diz que vem tudo dentro de uma caixa
é só recolher
depois mais tarde vê-se.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

De Volta.

Sou, de Volta.
Uma terra que ninguém conhece.
Não falo de Nada, só de Volta.
Em Nada fui feliz, mas em Volta, voltei.
Não me pára a esmola,
a esmola de quem se diz roído.
Eu vim de Volta, por Nada.