terça-feira, janeiro 22, 2008

Doze, o número do azar.

Repara como é bom o passeio pela contente presença,
como é bom seres tu só, sem mais ninguém,
e pavoneares-te naquele jardim que te faz sentir absurdamente feliz,
vê como é tão bom o teu centro do universo permanecer intocável,
é realmente bom.
E interequacionar a lembrança com tudo de perfeito que fizeste,
querer mais perfeito que isso e a exigência do outro dia melhor,
repara, vê bem!
Não é possível falhares mais para que não se quebre, não mais é possível.

Desligas a luz mais um dia
mas é preferivel que a luz vá ficando acesa, não vá o brilhantismo falhar.
Dá-te aquela parte de ti que tanto gostas e que te faz sentir mesmo grande,
sim, só mais um argumento para poderes rasurar outro do teu mapa de problemática.
Ah, como é tão consensual, como é tão bom e confortável.

Ter azar.
Discutir.
Dialogar.
Resta o corpo das chamas que se arranjam no quente do outrora bom.

sábado, janeiro 12, 2008

Ainda agora respirava bem.

É aquela coisa, aquela transição, aquela passagem fulgorante no espaço aberto em que me fiz alguém diferente.
Quis ser um e outro a seguir ao mais fácil dos momentos,
foi fácil mas escrupulosamente destrutivo.
Estou bastante elucidativo,
não quero cabeças a rebolar à minha frente,
não quero ser capaz de o fazer.
Matar é a mais fácil das artes mas a que dói mais no âmago
de ser alguém.
Eu não sou ninguém,
não me desenho outra vez na folha branca
porque eu sou a folha branca.
Não me queres por ser eu, queres-me por ser.

Eles foram todos embora, eu fiquei sozinho outra vez,
como dói ficar de peito aberto ao frio às 6 da manhã.
Tenho medo mãe, tenho medo,
pena que não possamos falar disso,
jamais entenderias porque é difícil fumar cigarro atrás de cigarro só porque te alivia,
não me deixes ficar assim
mas eu hei-de conseguir, a vida é isto, conseguir suportar a maior dor que conseguires,
depois, eventualmente, fica tudo bem!

Sou homem dentro de mim.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Já há quem diga.

Houve quem dissesse que noutra altura era diferente,
noutra altura havia uma outra convicção de outras memórias.
Os retratos são agora digitais,
as esperanças factos ilegais,
não fumes nem bebas,
a tua quantidade de lembrança é medida ao quinhão.

Somos ratos de laboratório,
experiência acumuladas de rastos ilusórios,
temos a mania do Outono
porque o Inverno do que há-de vir já é frio demais para o que fazemos.

Não somos donos de nada, nem do nosso pensamento
doutores controlam essas doenças de escravos do livramento.
Não queremos mais ser mais o que mais se dá a mais,
não somos nem fomos nem seremos
e a maior tarefa que teremos é a de ser pais,
sabiamente me foi transmitido
à medida de que o Jack acentava na goela.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Deixa.

As noites já não são as noites que eram antes,
os dias já nem os vejo, há alturas que nem sei se existem,
não estou desolado, não estou triste,
também não estou contente e radiante,
não sei como dizer a alguém coisas que se façam e se moldem a elas próprias,
porque há um hábito que nos diz dizer sim.

Sabias que as pessoas que perdoam têm maior sanidade mental?

Ler coisas são só mais coisas que nos perfuram cada cavidade do nosso pensamento,
eu não sou eu não mais porque tu já não existes na minha concepção,
não hei-de ser mais complicado e é já para o ano que trabalho.

31 de Janeiro é uma rua no Porto e o aniversário de amigos.

Tossi a noite toda, fui espelho da minha triste relutância,
cansei-me das enormidades absurdas do fácil falar,
eu não faço nada, é ele que me faz a mim,
porque eu sou dois que se multiplicam pela soma sucessiva de mais um
num infinito e inabalável acto de compaixão.

Feliz.

terça-feira, dezembro 25, 2007

As maravilhas do desejo.

É um dia qualquer hoje, pode ser um dia qualquer.
Estar cheio de alguma coisa por comer uma montanha de outras.
Ai, a desgraça das dietas do simples desgrace consumista,
não tenho ideias para dar,
os presentes foram nem sequer isso.
Não adianta porque hoje nã0o consigo estar triste,
desligado de tudo,
não adianta o ter que trabalhar sem parar ou o medo de não ter que fazer,
já não adianta nada. Se houver alguma coisa do outro lado é aqui que fomos felizes.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Vêem-se os destroços por todo o lado.


Sou demasiado ilustrativo, fugitivo,
reconforto-me nas estranhas coisas que fazem toda a gente infeliz.
Ela não me tocou mais como se amasse,
deixou-me aos berros e insultos de longas horas de classe.
Nunca compreendi que ninguém fizesse algo por sentir,
há demasiadas dúvidas no meio próprio,
e fingi no ardor da dor do medo,
não quis que fosse só o ardor do medo.
Ninguém me leu, ninguém me quis,
só eu o soube,
porque o uso é destrutivo,
e não ao uso
e não à vida de se querer ser um abuso.

Não a consegui ver,
por entre o nevoeiro denso não a consegui ver.
Há destroços por todo o lado e até os aparelhos sofrem,
não há dor igual a esta,
à que não se sabe que se sente,
ao trabalho que se multiplica e ao corpo que fica doente,
não a dor como esta a descer a rua de alcatrão,
ela vem ela vem,
mas ter comigo não.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Sempre repetido.

Diz-me a gorda verdade de ser eu,
a infame liberdade de ter outro teu.
Não se vai fazer mais criadagem nenhuma
não há espaço para mais alguma relutância
e a infância?
de que vive a liberdade de ter um buraco só meu?
um desejo só meu?
um dejecto só meu?
de que vive a elevação suprema de um regador,
espaçado pelos furos que acolhem a solidão?
de onde vem esta esperança de irmão?

Somente um,
é um e não mais
quando se junta a ilusão do mestre
que se desfaz nos seus poucos ais.

domingo, dezembro 02, 2007

Lixo subterrâneo.

A epiderme vive de ser só uma fronteira,
talvez seja a epiderme ou talvez seja a designação que lhe damos,
fronteira.
A fronteira divide dois espaços distintos,
mas às vezes os espaços são apenas repetições mais ou menos insufladas.
Os dentes do povo sequioso e desejoso por mais posse,
estão a partir,
vêem-se milhares de outros serem desdentados e sem saber o que fazer quando confrontavas com a entrevista televisiva.
O submundo está cada vez mais forte,
mas são as vontades de beleza que se sobrepõem num retrato judicial.